Livro A Soma de todos os Afetos

 
Com a intenção de ser um cantinho onde pudesse colocar alguns pensamentos soltos, o blog nasceu em 2012. Aos poucos foi se tornando uma segunda casa para mim, e em 2013 chegou ao Facebook, onde pôde alcançar mais leitores, e assim impulsionar minha vontade de escrever mais e melhor.
 

 Nada acontece por acaso, e torcemos para que nossos desejos se alinhem com os acontecimentos que estão reservados para nós. Assim, só posso estar grata ao presente que ganhei neste natal: a publicação de uma coletânea de crônicas do blog. O livro era pra ser só digital, mas no fim acabou saindo na versão impressa também. 
 Infelizmente não foi distribuído às livrarias, mas está à venda num site que agora coloco aqui para vocês. Espero que gostem!!! 

 Grande beijo, cheio de carinho e esperança em um 2016 repleto de luz e realizações,
 Fabíola Simões




 Para adquirir o livro DIGITAL (E-Book):


  

Uma carta especial


  O ano está chegando ao fim, e em meio à correria de preparar a ceia e a casa para festejar o nascimento de Jesus_ é preciso lembrar sempre o motivo desta noite especial_ nos deparamos com o inevitável balanço do ano que passou. Não é todo dia que paramos para refletir, analisar e desejar melhores rumos para quem somos e para o que estamos fazendo com a vida que vivemos.

 Este ano quis me presentear com uma carta a mim mesma. Pode ser que a imprima e guarde para ler daqui a um ano, quando as festas se repetirem e um novo balanço estiver a caminho. Pode ser que eu a revisite sempre que puder, no intuito de tentar ser mais fiel ao que acredito de fato, não fugindo daquilo que hoje considero minha história. E pode ser que seja só mais um exercício de reflexão e percepção da vida que tenho vivido, sem grandes implicações futuras ou objetivos maiores além daqueles que experimento hoje.

 Minha cara amiga,
 Chegamos juntas ao final de mais um ano, e enquanto as luzes da árvore cintilam anunciando que é hora de desacelerar e refletir, acompanho o ritmo frenético com que enfrenta os últimos dias de dezembro. Sim, você tem enfrentado esses dias, e não vivenciado com a magia que a acompanhou por tanto tempo, quando ainda era uma menina e o tempo de Natal significava realmente um tempo de Paz e Luz. Desejo que você reaprenda a ter menos e sentir mais, dando real sentido a cada coisa em seu lugar. Que não sofra coreografando a dança dos dias nem desgaste seu brilho lamentando o que não pode ser mudado. Aproveite o que a vida tem de melhor, que é a companhia das pessoas que lhe querem bem, e  aproveite esse tempo para exercitar sua comunicação afetiva, a capacidade de responder com amabilidade aos que convivem com você. Ficar sozinha é bom, nos protege de um monte de coisas, mas não nos ensina a reconhecer que precisamos uns dos outros, e que dar as mãos é um gesto necessário, que nos sustenta vida afora e ensina a importância de criar laços.

 Vá atrás de seus objetivos e celebre a realização de seus sonhos com a mesma euforia dos que acreditam ser merecedores de dádivas. Você também merece bênçãos, e é preciso estar grata e feliz quando elas acontecem. Faça um brinde à vida toda vez que reconhecer  um milagre e, acredite em mim, eles acontecem a todo momento.

 Tenha sempre em mente seus presentes. A vida não é só boa, e alguns momentos serão difíceis mesmo. Entra ano, sai ano, muito do que é ruim se repete, e a gente tem a péssima tendência de viver perpetuando as lamentações. Não foi um ano fácil para o Brasil, e a instabilidade continua batendo à nossa porta. Mas somos um povo que sabe resistir e se reinventar, basta ver como tudo caminhou no episódio das escolas no estado de São Paulo. E embora não possamos controlar tudo _ a tragédia em Mariana e o Zika vírus são provas disso_ podemos sim pedir a Deus proteção. No momento em que escrevo este texto, estamos parados em um engarrafamento numa estrada rumo a Minas. Não há muito o que fazer, apenas esperar. Fazem mais de trinta minutos e estamos parados no trânsito da Fernão Dias. Algumas coisas serão assim em 2016. E não há remédio senão esperar. Ter paciência com as demoras, tolerância com os percalços, fé num desfecho positivo fazem parte deste pacote que é "aprender a viver".

 Finalmente, alguns conselhos práticos: volte para a ginástica, faça caminhadas pela manhã, aprenda a meditar. Encontre um refúgio dentro de si mesma para não deixar as atribulações vencerem você, e quando o ambiente de trabalho pesar, lembre-se de um dia bom no seu repertório de dias vividos (foram tantos nas últimas férias!). Ore, entregue seus caminhos a Deus e exercite a confiança.
 Não tenha vergonha de amar nem de querer bem, mas acima de tudo, respeite seus limites. 
 E quando a vida demorar, lembre-se do dia de hoje. Já fazem mais de duas horas e o trânsito permanece imóvel. Não há o que fazer, apenas buscar alternativas no que é possível.
 Leia bons livros e se distraia com filmes interessantes. E por mais difícil que pareça em alguns momentos, não desista de escrever. 
 Que venha 2016 e com ele a promessa de dias novos pra gente traçar a história da melhor maneira possível.
 Feliz Natal e seja bem vindo ano novo!!!

Ponto de vista


 Morro de medo de viajar de avião. Ao contrário dos brinquedos radicais dos parques de diversões (que amo!), a realidade de voar de verdade me apavora, e sou daquelas que tremem só de pensar numa turbulência grau 1 (se é que existem graus de turbulência).

 Viajando no último fim de semana, o piloto avisou: "Iremos passar por uma área de turbulência. Mantenham-se sentados e não desatem os cintos". Foi a deixa para eu fechar os olhos, apertar a mão do meu marido e começar a rezar compulsivamente, fazendo até promessa para quando o 'vendaval' passasse.

 Mais à frente, minha tia e minha mãe conversavam. De vez em quando eu arriscava abrir um olho e observava. Não pararam de falar em momento algum, e após a aterrissagem, já em solo firme, comentei: "Vocês viram a turbulência? Que pânico!", ao que elas me responderam: "que turbulência?" e eu, inconformada: "como assim, até o piloto avisou!" e elas rindo muito: "o papo estava tão bom que não vimos nada!" 

 Tudo bem que não foi aquela turbulência, mas parei para pensar que a realidade está na forma como nos relacionamos com ela, ou seja, depende do ponto de vista. Pra mim a realidade era assustadora. Para elas, a mesma realidade foi um momento de colocar o papo em dia. 

 Procurando por turbulências na internet, me deparei com a mesma situação ao ler sobre um relato de um piloto que dizia que passou por uma grande turbulência, em que quebraram-se pratos e copos na cozinha, mas que na realidade só alterou o altímetro em poucos metros. Porém, para os passageiros deste mesmo voo, a sensação deve ter sido muito pior, algo como dizer que o avião despencou mais de 3000 pés em questão de segundos.

 Às vezes damos valor demais às pequenas coisas e não valorizamos o que merece ser reverenciado. Agigantamos nossas miudezas e diminuímos nossos reais tesouros sem nos dar conta de que nosso ponto de vista pode estar comprometido com deturpações da verdadeira realidade.

 Tenho aprendido a olhar a vida sob óticas diferentes. Assim, a expressão "depende do ponto de vista" tem tomado conta de minhas divagações diante dos acontecimentos. Imaginar que podemos escolher decifrar a vida de uma forma mais leve nos coloca num lugar mais confortável, longe das desnecessárias preocupações com as turbulências diárias.

 Escolher passar um voo inteiro colocando a conversa em dia ao invés de me assustar e ficar alerta ao primeiro chacoalhar do avião evita muito desgaste e sofrimento. Algumas coisas simplesmente fogem ao nosso controle, e não importa o quanto a gente se apavore, elas continuarão existindo independente da nossa vontade. Então o negócio é render-se a outro ponto de vista. Quem sabe a gente perceba que existem formas diferentes e menos dolorosas de enfrentar a realidade. Talvez a gente descubra que escolheu o pior jeito, e reconhecer isso pode ser o ponto de partida para a mudança.

 Amanhã tenho outro voo pela frente. Estou escolhendo desde já não me assustar tanto, e lembrar daquelas duas mocinhas _ minha tia e minha mãe_ colocando a conversa em dia sem se dar conta do quanto o avião chacoalhava.

 Que a gente aprenda a escolher o ponto de vista de quem é feliz, aumentando o que deve ficar e diminuindo o que deve partir. Que seja possível encontrar o ponto certo entre a realidade e nossos medos, sem agigantar nossas miudezas nem diminuir nossas riquezas. Que a gente descubra que pra cada acontecimento existem outras alternativas, e que a gente não sofra por imaginar que tudo na vida são turbulências. Que permaneça o que nos faz bem, e que aprendamos a reconhecer o que é essencial.

                                                                                                                       FABÍOLA SIMÕES