"SE"...

Por Fabíola Simões
(Crônica também publicada no Jornal "A Folha de São Carlos"- São Carlos - SP - Edição do dia 05/10/2012)

 Teria acontecido. Se não fosse por sua insegurança, pela mania de duvidar de si mesmo, daria certo.

 Bastava ter pedido. Simplesmente ter arriscado. Um "não" seria o pior que te ocorreria. Mas o "sim" mudaria sua vida.

 Por que não tentou? Por que deixou o medo ser maior que sua vocação para a felicidade?

 Quantas vezes deixamos oportunidades passarem, amores atravessarem a porta de saída, sonhos serem arquivados... só porque não fomos capazes de dominar o medo.

 O medo que paralisa, limita, congela as suspeitas, eterniza as dúvidas. O medo que nos diminui, desmerece, encarcera... torna pessoas comuns "muita areia para nosso caminhão".

 E um dia _ tarde demais _ descobrimos que tínhamos as chaves. Que muitas portas estariam abertas se tivéssemos tentado.

 Bastava coragem _  e não haveria um "se"...

 Gosto muito do filme "Divã", de Martha Medeiros; especialmente da parte em que a personagem Mercedes pergunta ao seu analista: "E se eu lhe disser que estou com medo de ser feliz para sempre?" Porque no final das contas é assim que vivemos: constantemente boicotando a felicidade com preconceitos e suposições.

 Cheios de "mania de perfeição", colecionamos fragilidades e distorcemos nossas possibilidades com autocrítica, remorso e culpa.

 Muitas vezes preferimos prestar tributo ao sofrimento a acreditar nos dons que carregamos, na alegria que existe _ ainda que camuflada _ dentro de nós.

 Num mundo legitimado por egos inflados e distorções da verdadeira auto estima, reconhecer-se merecedor, capaz e digno é admitir-se irrestrito.

 É  aceitar a igualdade _ a irrefutável verdade que ninguém é tão especial ou tão banal.

 É entender que ninguém é "muita areia pro caminhão" de ninguém; compreender que com esforço, empenho e fé somos igualmente capazes de cruzar a linha de chegada.
 E então relaxar, porque finalmente aprendemos a confiar no "nosso taco".

 Não precisaríamos perder tanto tempo se soubéssemos que temos as chaves _ tanto quanto aquele nosso vizinho importante e sortudo. Porém, muitas vezes preferimos deixá-las esquecidas, negligenciadas dentro de uma gaveta, abandonadas à própria sorte.

 Porque no fundo há o medo: De avançar e cair. De chegar e arrepender. De evoluir e não estar pronto. De querer e não obter.

 Então nem ousamos o primeiro passo _  como se o erro fosse o fim.

 Mas nos esquecemos que o erro é o começo. O início.

 É o que nos faz ir mais longe, além da dúvida, além de nossas fragilidades... Além de nós mesmos.





4 comentários :

  1. Parece que escreveu pra mim!!! hahaha... Muito bom... Adorei e também adoro o filme Divã!!! Beijos

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  2. Você têm algum livro escrito, Fabíola?
    Gosto muito de ler seus textos..
    Abraço

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